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Incubadora Tecnológica da UFMS discute proposta de criação de práticas agroecológicas

Técnicos da Incubadora Tecnológica de Cooperativas da UFMS (Universidade Federal de Mato Gross do Sul), representantes do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Orlando Baez e Valter Loeschner, e a pesquisadora da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), Fernanda Savicki, se reuniram na última quinta-feira (10), na UFMS, para discutirem propostas de ações conjuntas, a serem implantadas nos municípios de Porto Murtinho, Caracol, Maracaju, Corguinho e Jaraguari, por meio da incubadora.

Com o objetivo de criar uma área experimental para a transferência de tecnologia à agricultura familiar em Mato Grosso do Sul, a Incubadora Tecnológica de Cooperativas da UFMS, irá trabalhar em parceria com o MAPA. A área escolhida para efetuar as ações consiste em 52 hectares e está localizada no município de Bandeirantes – distante 70 km de Campo Grande. No espaço “Estação Experimental de Práticas Agroecológicas para a Agricultura familiar”, serão implantados projetos-piloto que servirão como referência para agricultores familiares do estado.

Orlando Baez, representante do MAPA (Foto: Alessandra Marimon)

Orlando Baez, representante do MAPA (Foto: Alessandra Marimon)

Farmácia Viva

A primeira proposta apresentada para o local é a chamada Farmácia Viva. A ideia é atender os municípios e capacitar os produtores para a realização dessa prática, ensinando, por exemplo, a importância das propriedades medicinais e da fitoterapia.

De acordo da pesquisadora da Fiocruz, Fernanda Savicki, desde 2006 existe uma política nacional do Ministério da Saúde sobre plantas medicinais e fitoterápicos e um incentivo do Conselho Municipal de Saúde para que as prefeituras adquiram medicamentos manipulados em laboratórios públicos. Daí a relevância de uma proposta como a Farmácia Viva. “A ideia é que os agricultores familiares produzam dentro da lógica agroecológica, que seja ofertado pelo SUS para o município conseguir comprar isso localmente e para ser prescrito pelos médicos locais”.

No entanto, não há produção apropriada de plantas medicinais no Brasil, como pontua a professora. “Tem muita produção, mas ou é muito artesanal ou não tem controle de qualidade decente, e precisamos de algo adequado”. A perspectiva da professora é realizar o plantio comercial de algumas espécies, compreender como se maneja uma planta medicinal dando ênfase para as plantas nativas, distribuir mudas e, também, realizar dias de campo e estudos de fármacos contra o mosquito Aedes aegypti. Dentro desse padrão, o objetivo é utilizar apenas 1 hectare dos 54 disponíveis no assentamento Bandeirantes.

Pesquisadora da Fiocruz, Fernanda Savicki (Foto: Alessandra Marimon)

Pesquisadora da Fiocruz, Fernanda Savicki (Foto: Alessandra Marimon)

Recomposição do solo

As propostas de agroecologia também estão relacionados com a importância de se pensar uma recuperação de solo utilizando “adubo verde” (tipo de adubação do solo feito com o plantio de leguminosas no meio da lavoura, para o solo absorver nitrogênio e outros nutrientes). Assim, a segunda proposta de projeto apresentada, visa a recomposição do solo bem como o sistema agroflorestal na recomposição de APPs (Áreas de Preservação Permanente).

A recomposição do solo com adubação verde e avaliação de metais pesados ficará a cargo de uma equipe de pesquisadores da UFMS.

Espaço físico

Para que as propostas de agroecologia tomem forma, há a necessidade de um espaço físico. Durante a reunião, discutiu-se a aquisição de um alojamento, uma cozinha industrial para se trabalhar receitas típicas, além de um laboratório para classificação e uma câmara fria para armazenamento das sementes.

Parceria MAPA

O superintendente adjunto Orlando Baez e o biólogo Valter Loeschner, representantes do MAPA durante a reunião, reforçaram a importância desse trabalho conjunto, já que na área está em andamento o projeto “Estação Experimental de Adubos Verdes e Sementes Crioulas” desenvolvido sob a coordenação de Loeschner.

Em 2008, houve o início de um programa denominado “Bancos Comunitários de Sementes de Adubos Verdes”, com o objetivo de fomentar as bases agroecológicas, para introduzir a produção orgânica no país, como explica o biólogo. Em 2009, sem recursos do ministério para licitar outra vez as sementes, os pesquisadores do MAPA conseguiram utilizar três hectares dessa área em Bandeirantes.

Valter Lloeschner, pesquisador do MAPA (Foto: Alessandra Marimon)

Valter Lloeschner, pesquisador do MAPA (Foto: Alessandra Marimon)

A Coordenadora da Incubadora de Cooperativas da UFMS, Mirian Aveiro, acredita que esse é o primeiro passo para a organização de um trabalho em rede na instituição, com fortalecimento das ações compartilhadas entre as mais diversas áreas que participam da equipe e de outros parceiros que somarão forças na missão em prol da agricultura familiar em MS.

O pró-reitor de Extensão, Cultura e Assuntos Estudantis, Valdir de Souza, celebra a conquista dessa parceria, pois a extensão rural tem sido ferramenta de diálogo direto com a comunidade, com demandas contínuas e fundamentais para uma atuação solucionadora da instituição.

Alessandra Marimon