Feira agroecológica incrementa renda de famílias que participam do projeto

Com a proposta de fortalecer a economia solidária, a feira agroecológica, que acontece às terças feiras na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), reúne agricultores do estado que trazem até o corredor central da instituição, produtos saudáveis, frescos e tradicionais. “Um modelo justo e sustentável de consumo consciente”, enfatiza a coordenadora do projeto Miriam Coura.

Eva da Silva Andrade (59), mora em Jaraguari, há 49 km de Campo Grandee participa da feira há três anos. Dona Eva como é conhecida, conta que foi por conta de problemas financeiros que decidiu se dedicar a agricultura familiar. Graças ao Projeto Semente, do qual a feirinha da UFMS faz parte, ela aprendeu a plantar e comercializar seus produtos e hoje comemora a independência financeira.

Depois de 14 anos no ramo da construção cívil, Dona Eva, que empregava cerca de 170 funcionários afirma que teve que fechar sua empresa por conta de dívidas e recomeçar a vida. “Perdemos tudo. Tivemos que vender casa e carros para poder pagar os funcionários. A única coisa que restou foi um carro que trocamos por uma chácara. Então, começamos a produzir hortaliças, mandioca entre outros produtos. Mas perdíamos tudo porque não sabíamos vender”. Ela explica que chegou a buscar no laticínio outra forma de renda, mas também não conseguiu dar prosseguimento a atividade.

Foi quando ela e o marido conheceram o senhor Sakai, um amigo da família, que os chamou para participar da feira agroecológica. A partir disso começaram a frequentar as capacitações oferecidas pela Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da UFMS (ITCP). É quando  Eva conhece a coordenadora do projeto Mirian Coura e aprende a produzir e comercializar seus produtos. “A capacitação durou um ano, e logo começamos a participar da feirinha. No início foi difícil, tínhamos vergonha e não sabíamos quanto cobrar pelos alimentos”.

Atualmente Dona Eva traz para a feira alface, jiló, doce de leite, laranja, banana e frango entre outros alimentos. Tudo cultivado e criado com o acompanhamento de agrônomos, veterinários e outros profissionais vinculados ao ITCP. A produção segue o modelo agroecológico, que  dispensa o uso de ações danosas ao meio ambiente, como o emprego de agrotóxicos, queimas e desmatamentos.

Todo esse trabalho é oferecido gratuitamente e o lucro das vendas é integralmente dos produtores que participam do projeto. Com a renda que ganha, há três anos na feira, Eva  já conseguiu terminar de pagar a casa que ela e a família compraram. “Para mim vale muito a pena participar do projeto pelo conhecimento e as amizades que fiz”, enfatiza.

A feira é aberta ao público e acontece todas às terças pela manhã no corredor central da UFMS à partir das 7h30.

Texto: Alline Gois e Luana Campos

Fotos: Alline Gois